Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



the piano

18.05.06

Em tempos, quando me tomava de uma ternura dormente e inexplicável que para ti me empurrava a boca, falei-te em vontades e na precisão do silêncio delas. Vontades de beijos, melhor, de beijinhos, daqueles doces como os de mercearia antiga, vendidos à dúzia, uns rosa outros brancos, que engolíamos sem dar tempo a que se derretessem contra o céu da boca, como os nossos beijos de verdade. Falei-te, então também, de abraços mudos aos molhos e à grosa, de gemidos baixinho e de outras quietudes essenciais. Agora, são outras as vontades e feitas de outras meiguices, embora ainda e sempre de horas perdidas a olhos nos olhos. A doçura efémera dos beijos deu lugar ao turbilhão das palavras que ambos quereríamos em dia mas que, felizmente, nunca o estarão, para que haja sempre mais. Palavras, por estranho que pareça, ainda um bocadinho escondidas do mundo e a espaços murmuradas, para (ontem como hoje) não despertar das coisas boas os seus contrários.

Autoria e outros dados (tags, etc)

escrito por sofia vieira às 21:49



Um blogue de Sofia Vieira

Reservad@s todos os Direitos de Autor. O conteúdo deste blogue encontra-se registado no IGAC, sendo proibida a sua reprodução sem autorização e/ou menção da proveniência e autoria.


Pesquisar

  Pesquisar no Blog