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wild at heart

02.05.06

Encontrei-te e num repente senti-me mudar. Segundos antes eu era outra e juraria que não seria isto. Fazia-te resolvido, devidamente encaixotado, um traste esquecido em desvão esconso na minha arrecadação. Mas não, afinal estás aqui e o teu sorriso alastra-se sem sinais de pó. O teu cabelo e o teu olhar impõem-se inteiros e sem traça, sem teia nem aranha. Eu que gastei quilos de borracha para te apagar e tu, feito Houdini a reapareceres-me triunfal num elevador improvável. Eu que te enterrei mais do que morto, com as fotografias e as cartas que começavam invariavelmente com um foi melhor assim e tu à traição, sem te anunciares, a ressuscitares-me incómodo no meu santo domingo de centro comercial. Para quê? Para que eu depois destes anos todos te volte a provar uma vez mais, balbuciando disparates e ameaçando tropeções, que sempre tinhas razão: Não eras para mim. Isso eu já sabia, agora volta para o teu caixote e dá-me o meu domingo de volta, por favor.

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escrito por sofia vieira às 21:57



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