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secretary

12.05.06

Verdade ou consequência, o jogo para hoje. E eu quero saber tudo: quantas noites em claro, quantas outras esqueceste, que fantasias tiveste, apenas por pensares em mim, mesmo que tenhas pensado pouco. Não vale mentir, caso em que terás tarefas cronometradas e difíceis de cumprir, praticamente impossíveis, como ocupares-te de todos os recantos do meu corpo com a inevitabilidade apertada da hora de ponta e depois deixares-me ir. Dizes-me que a verdade é preferível, não é por mais nada, mas apenas porque, depois, não conseguirias deixar-me ir, e eu sorrio porque sei que mentes e apetece-me dar-te uma ordem ainda mais irrealista, sei lá, por exemplo, atira-te ao rio. Finjo que acredito e continuo a tentar saber-te: o que te apetece dizer nos instantes em que nos despedimos, se ainda me cobiças os lábios pelo canto do olho e se já esqueceste o meu cheiro. Quero saber do que não me chegaste a escrever e se alguma vez te vieste sozinho imaginando-me nua à tua frente a fazer-me o mesmo. Porque eu já (é a minha vez de responder, faz de conta que perguntaste): às vezes, quando o cio aperta como a fome ao fim do dia, vejo-te a olhares-me para as mãos, que se atarefam por mim adentro. Afinal, a nossa história de sempre, esta de nos sincronizarmos o gozo sem sequer nos tocarmos e de tu seres o amigo imaginário cuja constância ao meu lado (à minha frente) teimo em inventar.

 

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escrito por sofia vieira às 22:00



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