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cat on a hot tin roof

25.05.06

Não tens tempo para mim. Existem relógios, cronómetros até que te medem o tempo, esse tempo que não tens para mim. Pergunto, porque não existe um qualquer aparelho que antes nos meça o amor, que nos tome o seu peso, que nos indique suas coordenadas, as suas polegadas, as suas jardas. Não tens tempo para mim. Pergunto por uma máquina, por um mecanismo, mas não do tempo antes da distância do amor. Um turbilhão com reserva de marcha, não para o tempo mas para amar. Uma complicação de amor e não de tempo, desse que não tens para mim. Um mecanismo que nos dê o pico em que se estreia e o yotta em que se fenece. A quantos graus ferve, de quantos são seus quilates, seus volts. Não tens tempo para mim. O seu lúmen, de quantos Joules a descarga dele em nós. Porque para o tempo, que até nem existe, dispões de relógios caríssimos onde o cativas só pelo prazer (?) de o veres escapar, para que dele te sobre essa doce (?) impressão de o teres tido, de o deteres ainda. Mas nunca para amar, para amar não tens máquina, não tens tempo. O tempo que te aponta sempre o presente, quando toda a gente sabe que nenhum ponteiro consegue mostrar o presente. Quando o presente é «um cabelo a cortar em quatro», quando toda a gente sabe que o presente ainda se não pensou futuro e já nisso é passado, quanto mais o tempo. Os relógios são para o tempo e para o presente que não existe, não são para mim, não são para amar nem para o amor, que esse, como toda a gente sabe é eterno.

 

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escrito por sofia vieira às 22:01



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