Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



a streetcar named desire

20.03.06

E, de repente, o teu cheiro que me chega. Perscruto as palmas das mãos, que acabei de lavar numa casa-de-banho pública, será do sabonete?, não é. Farejo as mangas do casaco, as abas, a gola, tê-lo-ei usado da última vez que estivemos juntos?, não, não usei. Rodopio-me na direcção das costas dos outros que se afastam, indiferentes à minha comoção, alguém que usa o teu perfume?, não, persistes por aqui, rodeias-me as raízes dos cabelos, os pêlos. Por momentos, até o sinal passar a verde, aquele velho cuspir no chão e a mulher de azul tropeçar no salto, passeias-te comigo - um boxeur fantasma que, a investidas de plasma, me esmurra o coração até se desvanecer nos odores do monóxido e da fast food, nos olhares ausentes que me trespassam o umbigo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

escrito por sofia vieira às 20:19



Um blogue de Sofia Vieira

Reservad@s todos os Direitos de Autor. O conteúdo deste blogue encontra-se registado no IGAC, sendo proibida a sua reprodução sem autorização e/ou menção da proveniência e autoria.


Pesquisar

  Pesquisar no Blog