Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



saraband

15.05.06

De quando as nossas olheiras reflectiam o escuro das noites em que nos afogávamos no Amor, debatendo-nos como gatos escaldados à tona; de quando os cantos da minha boca, revirados para cima, refractavam a luz que então nos inundava os dias, como aqueles rectângulos de Sol que se esgueiram pelas portadas entreabertas e banham os soalhos das casas felizes. Esse quando, que há muito esgueirou os seus contornos ondulados para lá da linha do horizonte e me pôs a fitar o nada, de mãos em pala sobre os olhos, à espera de ver surgir lá longe um remoinho de poeira, levantado pelo tropel de uma paixão que quereríamos de novo embalada numa fúria trovadora. Inimigos de nós mesmos em tantas batalhas perdidas, confesso-me quase cega (pelas frestas das pálpebras cansadas, nada nos enxergo de jeito); amblíope estou de certeza, embora ainda te espreite as veias (salientes do esforço de viveres) pelo canto do meu olho esquerdo, que rebola desemparelhado numa urgência recognitiva. Nem que me ampares, nem que me ajudes a atravessar-nos nos locais assinalados: uma bengala e um cão, é só o que te peço.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

escrito por sofia vieira às 22:17



Um blogue de Sofia Vieira

Reservad@s todos os Direitos de Autor. O conteúdo deste blogue encontra-se registado no IGAC, sendo proibida a sua reprodução sem autorização e/ou menção da proveniência e autoria.


Pesquisar

  Pesquisar no Blog