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last tango in paris

17.05.06

Às vezes, duvido-me e ponho em causa a parcimónia com que te vou consumindo e o cuidado excessivo com que te vou debicando, dando-me ganas de te engolir inteiro, de um trago e de uma só vez, numa manifestação alarve de impaciência e enfado. Nesses entãos, não me basto na rotina de esticar o pescoço para dentro de ti nesta pose cautelosa e educada de quem põe o dedo no ar e pede licença para entrar, e que pretende ser não mais do que uma manifestação polida do meu desinteresse em saber os segredos que escondes no rebordo da tua secretária, misturados com post its antigos e pastilhas mastigadas. Tenho dias gatunos em que me bastaria com pouco menos do que abrir-te à sorrelfa e penetrar-te furtivamente e a horas mortas, sem que desses conta e quando não estivesses em ti, para te vasculhar os papéis com a sofreguidão de um mendigo que procurasse comida num contentor, como se do que então encontrasse dependesse a minha sobrevivência nas horas seguintes, o meu aguentar-me em pé até à chegada de um novo dia (mais um, sustido a convenções, frases meias e amor demais por fazer).

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escrito por sofia vieira às 22:20



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