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the giant

04.06.06

Essa fragilidade, que te adivinho no sorriso de massa quebrada, cabe-me na palma da mão e detém a medida exacta dos cantos arredondados do meu moleskine preto (porque rosa não havia). Quase te posso amarfanhar a carne mansa por forma a fazer-te caber no meu bolso, roto no forro bem no fundo, como se fosses uma folha amachucada na qual eu tivesse garatujado uma frase idiota, uma conta errada ou um mau poema. Pareces-me acossado por uma tristeza longitudinal, daquelas de fio-de-prumo, que te sobe e desce como um elevador sem assistência, desgovernado entre andares. Não te posso dar colo nem que te percas no meu embalo, porque me basta um piparote de vento suão para que a razão que me resta me caia aos pés, desfeita na sua leveza como farinha peneirada. Não te esqueças, no entanto, que os jacarandás floriram já por Lisboa fora, ali(la)sando-nos o estriado rugoso onde se intersectam a espaços os nossos caminhos rectos.

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escrito por sofia vieira às 22:26



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