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the story of us

05.06.06

O sexo, despiciendo, belíssimo, descartável, que fazemos por estes dias a fio (presos por um fio), empecilha-nos. A cada projecto de saída tua, enrodilhamo-nos os corpos e baralham-se-nos as coordenadas das certezas absolutas. Por mais que nos tracemos azimutes nas costas do outro, não há meio de a urgência dorida deste prazer redescoberto nos indicar um rumo sofrível. Não mais deves soçobrar a tua perna direita sobre a minha anca, enquanto presumivelmente sonhas com o abarcanço de outras ancas; e eu não devo continuar a encaixar-me em ti nem a dar-te ao encosto a minha nuca (suada do destilar dos meus pesadelos). Preciso de espraiar o espírito no à-vontade de uma cama vazia e pretendo ocupar os lençóis todos, fazer-me a eles como uma sem-terra. Vou arrebanhar todos os centímetros que foram teus, açambarcar-te as almofadas e repôr, com fúria marxista, a justiça socio-doméstica no interior destas quatro paredes. Por isso, não me sorrias nem me peças desculpa, sentida e pungentemente, a cada virar de costas, porque lá vou eu que te abro os braços e te mergulho em vôo e a pique, uma e outra vez. E para quê, diz-me? A superestrutura deste desejo súbito não reflecte, nem por um bocadinho, a verdade da nossa infraestrutura abalroada pelos anos.

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escrito por sofia vieira às 22:29



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