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doktor zhivago

18.06.06

Às vezes, desbarato-me na lembrança que guardo de nós e faço de conta de que ainda nos queremos e de como era insuportavelmente bom quando não nos podíamos ter, porque me sentia viva. Imagino que o tom coloquial que hoje em dia nos serve, mais não é do que um escudo magnético poderoso com que nos defendemos da vontade de nos dizermos a partir de agora não me apetece mais viver sem ti. Por momentos semibreves, faz-me todo o sentido que ainda e que talvez para sempre. Então, presumo que as saudades que gostaria de sentir são verdadeiras e que me arrepanham de facto o peito em repouso, desprevenido. Aproveito e invento a falta que gostaria que me fizesses, e para isso invoco aquela que um dia senti, quando à mercê de providências nada divinas, como a teimosia descarada do desejo animal. Lembro-me de pensar que urgia libertar os meus poros abertos da tua presença húmida, mas o que consegui foi, apenas, afastar o ressaibo de não puderes ombrear comigo: nem nas banalidades dos dias nem nos excessos das noites. Agora já não me custas, sais-me barato, praticamente pechincha e estás sempre aqui (pesarás a outra qualquer). E eu, com o riso a pender-me ao canto da boca, porque, afinal, o Amor pode ser assim: uma omnipresença saborosa que me permite lamber-te a nuca abandonada, enquanto espero para pagar na fila do supermercado e tu te encontras a milhas.

 

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escrito por sofia vieira às 22:39



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