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in the mood for love

23.06.06

 Quando penso que te resolvi de vez, que és caso arrumado, trigo limpo farinha amparo, quando tenho quase a certeza de que me desamparaste a loja (agora fechada para balanço, à espera de trespasse, encerrada para obras), surges-me do escuro com aquela violência própria que carregam em si as coisas impossíveis. Chegaste-me à beirinha da madrugada, armado em holograma, embora com peso e consistência suficientes para que te sonhasse com cheiro, te sentisse os pelos da barba por fazer a pastarem-me a curva do queixo e te saboreasse o hálito, que me entrou pelas frinchas dos lábios renitentes e aterrou na minha língua inquieta. Acompanhava-te o sorriso miúdo um desejo hidráulico, perfurador e persistente, que usámos em proveito próprio, amando-nos de todas as maneiras e feitios, ao longo de horas que couberam em minutos, como se as tivéssemos embalado a vácuo. O timming foi perfeito (como sempre acontece em todos os sonhos que são bons), pois tudo começou e acabou no exacto segundo em que era suposto. Lá fora, entretanto, o dia rompeu a placenta da noite e seguiu igual, e ninguém mais deu por este meu baldear inesperado pelas franjas desprevenidas do Amor, por esta ligeira alteração de rota, só eu (e agora tu).

 

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escrito por sofia vieira às 22:43



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