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pride and prejudice

30.06.06

Percebo que, quando derrapes subitamente na curva do meu queixo, me dês as costas e te afastes (receoso, desconfiado ou, apenas, com vontade de o fazeres). Também percebo que precises de mo dizer por palavras portas travessas, como se tivesses vergonha desse encolher de ombros e preferisses soletrá-lo. Mas não me peças que te empurre enquanto me puxo, pois sabes que tendo para o vórtice, para me deixar encurralar nas tuas espirais descendentes e que nada percebo da força centrípeta do Amor. Continuo a não saber quem és, nem de que oportunidades perdidas são feitos os teus dias; apenas sei que a tua insónia me encurrala nalgumas noites mais despertas e que no fundo pouco nos sobra, para lá da conversa cigana e das vigílias sincopadas. Olho-nos as voltas trocadas e pressinto-nos a melancolia pré-histórica do celacanto: um esqueleto de beleza rendilhada, quase comovente em dependendo da luz, mas que nem a datação por carbono me pode dizer quando e porque apareceu ou acabou. Parece-me que não voltarás a rasgar o ar que respiro, acho. Agora, só me falta despir este xaile de palavras esburacadas com que me cobriste os ombros aflitos e sacudir de vez o teu cheiro da minha epiderme (que nos dias ímpares e nos meses com érre resolve sempre a parva eriçar-se de esperança).

 

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escrito por sofia vieira às 22:50



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