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mar adentro

27.09.06

Foste-te embora e não me ensinaste a viver sem ti. Não me deixaste manual de instruções, nem nenhum tutorial em português do brasil. Nada que me dissesse para onde me virar nem o que fazer a seguir, agora que apenas uns laivos fugazes da tua sombra fátua me enfeitam os pés de grifo da mobília de época. Um folheto explicativo, ao menos; uma tradução manhosa do original em chinês, com o género trocado e palavras inventadas, corruptelas ou derivadas. Nem um recado, sequer, na porta do frigorífico, faz assim ou faz assado, ou um post it na secretária, no ecrã do computador, que sumariamente me explicasse os modos de encher os espaços vazios com esta sumaúma triste. Não me deste perspectivas de regresso nem qualquer tipo de garantia, experimente e em quinze venha cá carimbar; não me mostraste as precauções a tomar ou a profilaxia a fazer nem, muito menos, os perigos que corro com a sobredosagem da tua ausência na minha corrente sanguínea. Foste-te embora e eu. Às voltas com as dificuldades de montagem da tua falta nos meus ocos recantos, sem saber como me encaixar no vácuo que provocaste. Eu, solta e desconjuntada, mil peças de pinho sueco espalhadas pelo chão da sala.

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escrito por sofia vieira às 23:15



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