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where danger lives

18.07.08

Um gesto lépido, um encolher de ombros, uma frase. A ela, basta-lhe uma frase, em especial se sincera. Não porque o pretenda ser ou faça por isso, mas porque a verdade circula nos meandros que a compõem. Então ela recolhe-se, como se um corpo estranho. Uma frase simples, que traduza a reacção adequada à provocação sem sentido. Que, de tão normal, mediana (gaussiana), a faz sentir-se diferente, avariada, sem remédio. Que lhe cala as palavras dentro ainda antes que se formem: letras avulsas passarão a correr nela como linfa. A loucura e o desgoverno alimentam-se do excesso que criam; a normalidade é autofágica. Ela preferiria que a razão lhe permitisse ser fugaz (a razão, esse conceito que lhe é longe como um recorte de cordilheiras). Ela quereria não ver a vida na progressão geométrica do desespero. Às vezes, acorda e estremunha, mas nem por isso mais lúcida, apenas mais cansada. Só não é uma criatura sombria porque não se leva a sério. Precisa de fazer nada, para sustentar o delírio. Esconde o desvario nas palavras que não escreverá e encaixa num recanto de si a frase normal, como se esta lhe fizesse cócegas para sempre.

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escrito por sofia vieira às 18:50



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