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the hours

06.04.06

Até que ponto poderemos estraçalhar um texto, esfrangalhá-lo, reduzi-lo a escombros? Quantas vezes teremos de o reler até lhe arrasarmos os significados como se fossemos necrófagos minuciosos e esse mesmo texto não passasse de um corpo desmembrado que enterramos aos bocados pelos quatro cantos do mundo para mais tarde nos banquetearmos? Que raio nos passa pela cabeça para sorvemos uma banalidade literária até à última gota e a ficarmos a saber de cor, quando já a olhámos a todas as luzes possíveis e o neon da nossa imaginação lhe realça todos os sentidos onde se inscreva por hipótese a nossa cara? Porque é nos custa sabermo-nos nas entrelinhas do que o outro escreve, mas teimamos em fazer questão de nos lermos lá uma e outra vez, até darmos por nós no lugar do gato, da mobília, das vírgulas? Quantas maneiras existirão de eu me sentir mais perto de ti e de poder encostar o meu ombro ao teu queixo?

 

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escrito por sofia vieira às 21:01



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