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um amor atrevido

um amor atrevido

Abril 12, 2006

out of africa

Vieira do Mar

Ainda hoje me pergunto porque razão teimei em não te ver, naquele dia em que combinámos o encontro. Onde estavas, enquanto os meus olhos calcorreavam as costas plásticas das cadeiras, as beatas no chão e aquela nódoa discreta na lapela do empregado de mesa, que me espreitava a incontinência nervosa das mãos pelo canto do olho, enquanto me trazia mais um gin (Bombay, se faz favor, tem de ser Bombay)? Acaso teria sido diferente, se nos tivéssemos sorrido logo ali as meninas dos olhos e tocado as maçãs do rosto, quentes de rubores quase infantis? Como é que poderemos saber quando um entusiasmo de fim de Verão, embalado a prenúncios de Outono, está em ponto de rebuçado e pronto a ser mais qualquer coisa do que um ritual de passagem entre estações do ano?