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um amor atrevido

um amor atrevido

Abril 13, 2006

chinatown

Vieira do Mar

Atravesso a rua e fixo o olhar na zebra da passadeira, enquanto lembro o teu repúdio mole, pouco convicto; vou lá, deparo-me e permito-me a raiva em repeat mode, boquiaberta, uma e outra vez. Mas cedo finalmente ao dó, àquela maresia rasa do lamento, e a raiva acaba por se levantar e oferecer o lugar à pena, senhora mais velha e experiente, que chega em último porque dada a vistas curtas, hesitações e coxeios. Vejo-te uma fragilidade patética (pateta?) na afronta demasiado óbvia que me diriges. Sim, porque tu esqueces-te que eu sei que manobras com uma habilidade um pouco saloia os outros para alcançares os teus fins (que eu também sei quais são mas aqui não digo). Ah! se eles soubessem o quanto te estás borrifando para eles, para mim. Acima da tristeza que imaginas, erradamente, espraiar-se cá dentro a cada palavra tua, está a tua vaidade. Não queres saber de mim, mas és vaidoso de mim, queres que os outros me saibam. E esses outros, marionetas nas tuas mãos, bonecos a braços com uma maldade emprestada, lá vão dançando ao som da tua música, vira o disco e toca o mesmo. Que estranha forma vida.